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segunda-feira, 18 de março de 2019

POESIA MENSAGEIRA


Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor  - Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 38 anos de trajetória, Cadeira 19 da Academia SulBrasileira de Letras - Http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br - Http://lcamorim.blogspot.com.br
 
Recebi um post no Whatsapp, da minha amiga Chris Abreu, poeta dos dedos cheios de poesia, de um mensageiro poeta. Sim mensageiro mesmo, funcionário do correio, que se encantou com a poesia e passou a ser carteiro-poeta. Ele passou a entregar as cartas com poemas: entregava a correspondência com uma folha no meio que continha um poema e o poema, quase sempre ou sempre era dele.
Tenho escrito muito sobre as tantas maneiras que tantas pessoas encontram para divulgar a poesia. E essa é uma maneira bem original. O carteiro-poeta Cleyton Mendes, com sua poesia misturada à correspondência, me lembrou o meu projeto Poesia Carimbada, que consistia em carimbos que imprimem poemas inteiros, que eu usava em minha correspondência enviada, no verso do envelope. As pessoas recebiam minhas cartas, sobre o assunto que fosse, com um poema carimbado no envelope.
Aí me vem o poeta-carteiro, entregando a sua poesia a domicílio. Tem coisa mais bonita? Receber notícias boas, outras nem tanto, contas, etc. e – pasmem – poesia. Um poema do carteiro-poeta, para alegrar o dia, como este: Sorria / pra afastar a melancolia. / Sorria / pois pra tristeza / é a melhor terapia. / Sorria, / sorria, / Só ria / Pois o seu riso / é pura poesia.
Como o próprio carteiro-poeta diz, “ele é portador da poesia-mensageira: carteiro leva mensagem para as pessoas; poesia leva uma mensagem para a alma, para os corações.” Ele diz também que “a poesia não está só nos livros, a poesia está no olhar de quem vê”. E não é verdade? A poesia pode estar em tudo, depende da nossa capacidade de vê-la.  Então ela está dentro do nosso olhar.
Obrigado, poeta-carteiro, por ser mensageiro da poesia. Escreva muitos poemas e seja o mensageiro que vai levar a poesia até o ouvinte, até o leitor. O mundo está muito duro, ele precisa de poesia para mudar para melhor. A poesia é necessária.
E para terminar, a mesma Chris dos dedos cheios de poesia me avisa que aquelas pessoas que ficam nas sinaleiras  pela cidade estão distribuindo o quê? Poesia. Manuscrita, escrita em pequenas folhas de caderno, oferecidas quando o sinal fecha e o sinal se abre para a poesia.
Obrigado a todos vocês, multiplicadores da poesia. Eu os saúdo, este é o meu tributo a vocês.

quinta-feira, 14 de março de 2019

DIAS DA POESIA

                                                  Por Luiz Carlos Amorim

No mês de março comemoramos duas vezes a poesia: 14 de março é o Dia Nacional da Poesia. No Brasil o dia da poesia é neste dia, porque é o dia do aniversário de Castro Alves, um dos grandes poetas brasileiros. O Dia Internacional (ou Mundial) da Poesia, no entanto, é comemorado no dia 21 de março, por iniciativa da Unesco.

Poesia é a língua universal da alma. Poesia é a linguagem do sentimento, da emoção. O
Poeta é esse ser estranho e singular, iluminado, que vê a vida com o coração e tenta passar essa visão a todos aqueles que tiverem sensibilidade para recriar a sua visão. Então quero enviar a minha homenagem a todos os bardos deste imenso Brasil e do mundo, pois é das penas deles que flui a emoção e o sentimento dessa arte incomensurável que se chama poesia.

É o poeta que torna esse nosso mundo, tão belo e ao mesmo tempo tão conturbado, um pouco mais humano, é ele que desnuda a alma para que a nossa alma seja menos dura, menos intolerante, mais solidária, mais humana.

É o poeta que nos leva a contemplar o amor, que nos leva a pensar a paz, que nos lembra de que somos irmãos gêmeos da natureza e por isso mesmo precisamos amá-la e respeitá-la, para que ela nos proteja e não nos desampare.

Precisamos comemorar esse dia produzindo versos, cultivando a poesia, todos nós, pois o mundo atual, tão corrido e tão violento, precisa da singeleza e do lirismo da poesia. A poesia é necessária, para que não nos deixemos endurecer ainda mais, para não deixarmos de ser gente.

Sim, a poesia é necessária. Como deixar fluir a alma pelas pontas dos dedos, a não ser pelos versos de um poema? A poesia é sentimento, é emoção, é alma, é coração. Como sermos humanos sem tudo isso?

A poesia é mágica, como já disse Quintana – e quem mais poderia dizê-lo? – como neste poema que toma a liberdade de transcrever:

”Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto; alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti...”

Que mais posso eu dizer? Rendo a minha homenagem a você, poeta, que não deixa morrer a poesia que existe, ainda, em nossas vidas. E rendo minha homenagem a você, leitor, que não deixa morrer a poesia, recriando-a. E viva a poesia mundial, e viva Quintana, e viva nós, poetas e vivam todos os leitores.

 

domingo, 3 de fevereiro de 2019

RUA DAS PRETAS: MÚSICA DO MUNDO AO PÉ DO OUVIDO


          Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 38 anos de trajetória. http://lcamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br


Pierre Aderne é cantor, compositor, produtor, apresentador, poeta (escritor, na verdade, porque ele não escreve só poemas, ele é ótimo cronista, também). E ele é um grande divulgador da música brasileira, mas não só: da música brasileira, da música portuguesa, da música caboverdiana, americana, da música como um todo, enfim, da musica mundial. Ele sempre fez tertúlias musicais, saraus na imtimidade da sua casa, reunindo cantores e compositores, desde que morava no Brasil. E continuou a fazer isso depois que mudou-se para Portugal, levando o conceito para outros países, como Polônia, Estados Unidos, Japão, França, Espanha.
Esse conceito novo, que não é tão novo, mas foi valorizado e renovado por Pierre, de reunir cantores de nacionalidades diversas, para cantar, tocar e ouvir músicas no aconchego de casa, com muito vinho e boa comida, uma verdadeira confraria de amigos da música, consagrou-se como a marca registrada de um novo tipo de espetáculo. Pierre o chamou de RUA DAS PRETAS, depois de morar por alguns anos na Rua das Pretas, uma transversal da Avenida da Liberdade, em Lisboa. Ele recebia lá cantores brasileiros, portugueses, caboverdianos, americanos, ingleses, franceses, etc. e a casa ficou pequena. Então a RUA DAS PRETAS foi para um espaço maior, para poder receber amantes da boa música que gostariam de fazer parte da tertúlia, como espectadores. Como se a gente recebesse cantores para atuarem ao vivo na sala da nossa casa.  E deu certo. A tertúlia de Pierre já faz parte do calendário de espetáculos de Lisboa e está no roteiro de turistas de todo o mundo que vão lá para ouvir boa música: música brasileira, música portuguesa – não falta o fado – e música de todo o mundo.
Como disse André, do Expresso de Lisboa, “o desafio é entrar num palacete em pleno Príncipe Real, bairro nobre de Llisboa, receber um copo, conhecer pessoas novas e ouvir musica ao vivo, sem microfone, sem caixas de som. Pierre Aderne e Daniela Cristina são os anfitriões, mas com ele estarão, certamente, músicos de qualquer parte do mundo ou da cidade. É ali, no Palácio do Príncipe Real, que Pierre recebe os seus convidados que, mal entram e sobem os degraus que os leva à sala com lareira, recebem um copo. O vinho ajuda a contar a história. E assim, além dos músicos, dos artistas e dos escritores, também os produtores de vinho começaram a frequentar a Rua das Pretas. O projeto é uma festa de música e vinho. Não é um show, mas uma festa que se faz em casa. É um formato que promove a intimidade.”
É um projeto de sucesso e já tem, até, seguidores. Já há projetos que copiam o formato. Mas o orginal, mesmo, é RUA DAS PRETAS. Pela tertúlia já passaram mais de 140 artistas portugueses e estrangeiros, mais de quatro mil pessoas já assistiram o espetáculo intimista ao vivo e já foram abertas cerca de duas mil garrafas de vinho. Só no período em que ele está sendo levado no Palácio do Príncipe Real, coisa de quase dois anos.
Recentemente, foi lançado o CD RUA DAS PRETAS – Wine álbum, também um conceito novo que Pierre já havia usado com o seu disco “Bem me quer, Mar me quer”, quando uma garrafa de vinho que tinha o mesmo nome que dava o título ao disco, acompanhava o CD. A novidade é que, desta vez, ao invés do CD, vai haver novidade para ter as músicas do CD. Reunindo cantores que, é claro, já passaram pela tertúlia, o álbum é vendido nas grandes lojas, mas é oferecido, também e principalmente, em garrafeiras, wine bars e restaurantes, vendido com uma garrafa de vinho, produzido especialmente por uma grande marca de vinho portutuesa, Niepoort, parceira do projeto.
RUA DAS PRETAS, o projeto de tertúlia musical de Pierre Aderne que une música, vinho e a integração intimista de cantores e amantes da boa música, é um sucesso praticamente no mundo todo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

QUANTO VALE A VIDA?


         

          Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 38 anos de trajetória. http://lcamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br



No país que foi,  até agora, o país da impunidade e da corrupção – esperamos que isso esteja em vias da mudar – mais um crime contra a vida de centenas de cidadãos brasileiros, que pereceram, inocentes, graças ao descaso e ao descumprimento de leis, de devalorização da vida, foi cometido. Mais uma barragem de rejeitos de minas de minério estourou e devastou todo um vale repleto de vida. Isso, passados apenas três anos de outra tragédia criminosa idêntica, que já havia vitimado muitas vidas em Mariana: uma barragem de lama desceu sobre a cidade, da mesma empresa da outra que agora matou centenas de pessoas.
Nada foi aprendido com a primeira tragédia? A fiscalização, por que não foi feita,  os parâmetros para se construir e manter as tais barragens existem apenas para dizer que existem? Por que as leis no Brasil não são cumpridas? Quem deve cobrar isso? Por que não está sendo cobrado?
A Vale, proprietária das minas e das barragens, está dando lucro, como sempre – isto está sendo mostrado pela mídia - mas existem vítimas da primeira tragédia, acontecida há três anos, que ainda não foram indenizadas. No que diz respeito às responsabilidades do que aconteceu em Mariana, ninguém foi penalizado, condenado, até hoje, depois de tanto tempo. Infelizmente, não temos ao menos justiça, neste país. Aquilo foi crime e os responsáveis deveriam ter sido condenados, para que a tragédia não se repetisse. E se repetiu. Pior ainda que a primeira, pois muito mais pessoas foram vitimadas.
O povo brasileiro espera que as coisas mudem, está mais do que na hora de mudar. Sabemos que o estado em que nosso país foi deixado é desastroso e não pode ser consertado de uma hora para outra, mas é preciso começar a se fazer alguma coisa.
Crimes devem ser apurados e providências precisam ser tomadas para que não voltem a acontecer. Será preciso que mais represas estourem para que se faça alguma coisa? Um número inimaginável de pessoas assassinadas, essa é que é a verdade, cada vez maior. Quando isso vai parar?

domingo, 20 de janeiro de 2019

AINDA O ACORDO ORTOGRÁFICO EM PORTUGAL


         Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 38 anos de trajetória. http://lcamorim.blogspot.com.brhttp://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

Escrevi e publiquei o texto abaixo em 2014, mas volto a publicá-lo porque chego mais uma vez em Portugal, esta terra fantástica, e encontro manifestações do povo contra o Acordo Ortográfico de 1990, adotado no Brasil a partir de 2016. Em Portugal ele teria sido adotado em 2009, mas há polêmica quanto a essa data, em razão da não publicação em tempo hábil do Diário Oficial de Portugal. Mas a verdade é que o Acordo nunca foi totalmente assimilado no país, pois a maioria não quer mudar a maneira de falar nem de escrever. E os portugueses pedem para revogar o documento, com a Iniciativa Legislativa de Cidadãos Contra o Acordo Ortográfico, tendo conseguido já o número de assinaturas necessárias para encaminhá-la.
Então, bem antes disso, um artigo, muito interessante, sobre o fato de o Acordo Ortográfico e a Unificação da Língua Portuguesa – essa pretendida “unificação” não tem como ser levada a efeito - não ter melhorado o acesso do livro português no mercado brasileiro, me chama muito a atenção:Ao estabelecer uma ortografia unificada, o acordo ortográfico iria facilitar a circulação do livro português no Brasil. E a circulação de livros de um país lusófono nos outros.  Este foi, entre muito outros, um dos argumentos brandidos em favor da sua aplicação. Agora que, tanto em Portugal como no Brasil, boa parte das editoras adoptaram o acordo, essa promessa começa já a concretizar-se? A resposta parece ser negativa.” O texto é de origem portuguesa, está num apanhado de clips sobre livro e literatura, mas não identifica o órgão publicador.
Uma afirmação de Pedro Benard da Costa, da legendadora portuguesa Cinemateca, fecha o texto – que não é pequeno, com depoimentos de editores e livreiros portugueses: "A construção gramatical é completamente diferente e há muitas palavras que não têm o mesmo sentido cá e lá."
Pois venho escrevendo sobre isso há anos, ponderando que o Acordo Ortográfico não significa que haverá, automaticamente, uma unificação da língua portuguesa em todos os países onde ela é falada. Existem muitas palavras que têm significado diferente aqui e em Portugal, por exemplo, mas é possível que isso aconteça na comparação com outros países, como Cabo Verde, Angola, etc. Lá fora existem muitas palavras que são não usadas aqui e vice-versa. Uma alteração quase que exclusivamente de acentuação não resolveria as diferenças de significação, o que não inviabiliza a leitura dos livros portugueses no Brasil. O que incomoda é a pretensão de alguns dos promotores do acordo em querer que o português seja exatamente o mesmo, independente do país onde ele é falado. Se até dentro do mesmo país, há diferenças na maneira de falar o português – isso acontece no Brasil -, como esperar que a língua seja a mesma em vários países onde ela é a língua oficial, tão distantes uns dos outros? A linguística existe e vai continuar existindo sempre, não há como ser diferente.

Tenho lido vários autores portugueses, como José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, Miguel Torga, Saramago e o angolano Valter Hugo Mãe, angolano que vive em Portugal, e não tenho tido dificuldade na compreensão dos textos, apesar de serem livros publicados em Portugal e, por isso, conter palavras desconhecidas. O contexto permite que se entenda perfeitamente o assunto. Não tenho dicionário português que não seja o nosso aqui do Brasil, mas posso pesquisar na internet, se for o caso.

Aliás, como já sabemos através dos clássicos portugueses mais conhecidos no Brasil, Pessoa e Camões, a literatura portuguesa é rica e de qualidade. Quem conhece os autores contemporâneos citados acima sabe do que estou falando, pois são autores consagrados em Portugal, com obra extensa e largamente premiada. Vale a pena conhecer. O português não é exatamente o mesmo que o nosso, há diferenças, sim, mas não há necessidade de tradução para publicação da obra de autores portugueses aqui, porque a compreensão é completamente possível.