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terça-feira, 10 de abril de 2018

HISTÓRIA E BELEZA NA CIDADE DA LAPA




Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 37 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://lcamorim.blogspot.com –  http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br
 
Visitando Lapa, recentemente, uma das cidades mais antigas do Paraná, próxima de Curitiba, fiquei encantando com a preservação do centro histórico, com seu casario português parecendo novo, de tão bem cuidado, quando na verdade os vários prédios são centenários. Foi um prazer ver tantas edificações tipicamente portuguesas tendo uma manutenção tão eficiente, o que dá à Lapa uma beleza sem igual.
 A cidade foi fundada em 1769 e sua origem se deve à passagem dos tropeiros que atravessaram a região e faziam da localidade uma de suas paradas. Linda e cheia de história, a cidade tem como base de sua economia a atividade agropecuária, porém tem atraído cada vez mais turistas que ficam encantados com suas ruas de pedras e suas históricas casas coloridas.
Lapa é conhecida como a cidade que mudou a história do Brasil. Entre janeiro e fevereiro de 1894, a Lapa foi palco do capítulo mais marcante de sua história, quando a pequena cidade resistiu durante 26 dias as tropas federalistas que tentavam chegar a capital da recém declarada República do Brasil.  O famoso combate, chamado Cerco da Lapa, é um dos capítulos mais importantes da história nacional.
Uma cidade tão rica em cultura e tradição não podia deixar de ter o nome de um grande jornalista ligado a sua história.  Falo de Francisco Cunha Pereira Filho, um dos mais importantes jornalistas do Paraná, que tinha relação estreita com a cidade, pois seu avô, o médico João Cândido Ferreira, integrou o time de heróis do Cerco da Lapa, atuando no atendimento aos feridos. Por isso, o jornalista viveu sua juventude na Lapa. Ele foi proprietário de uma rede de comunicação no Paraná, que incluía o jornal Gazeta do Povo e canais de TV.
O Largo Francisco Cunha Pereira Filho, na Lapa, exibe uma estátua do jornalista e foi neste local que, por iniciativa e criatividade da fotógrafa e poeta Rita Marilia Signorini, de Florianópolis, fizemos algumas fotos. A poeta, encantada com a cidade e suas personagens históricas,  publicou as fotos, minha e dela com o jornalista, no Face, escrevendo:
“Passeando na Lapa encontrei um banco e nele o Jornalista Francisco Cunha Pereira Filho. Sentei a seu lado e nossa conversa foi sobre as maravilhas trazidas pela revista “Suplemento Literário A ILHA” até a Lapa (PR). O Jornalista ficou encantado com o trabalho fantástico que há 37 anos o poeta, escritor e também jornalista Luiz Carlos Amorim desenvolve e quis conhecê-lo. Não demorou muito e lá estavam os dois jornalistas trocando conhecimento e emoções. Foi um lindo momento literário a céu aberto, no Largo Francisco.”

Foi uma interação muito interessante com a cultura e a história da cidade, tão encantadora e tão rica em cultura, integrando a literatura de um grupo de poetas catarinenses que, por iniciativa da poeta Chris Abreu, que tem seus tios morando na Lapa, tiveram o privilégio e o prazer de conhecer lugar tão acolhedor e tão bonito. O Grupo Literário A ILHA e os poetas da Confraria do Pessoas têm o prazer de trocar experiências com a Associação Literária da Lapa, que funciona no Teatro São João, autêntico e centenário, o sexto teatro mais antigo do Brasil.

domingo, 1 de abril de 2018

RENASCIMENTO

Luiz Carlos Amorim

Há um raio de luz...
nascendo no horizonte.
Há um fio de esperança
apontando o futuro.
Há um resto de fé
se multiplicando.

É a vida ressurgindo,
É a Páscoa
do renascimento,
do encontro da paz,
da busca do amor,
a comunhão com Deus

quinta-feira, 29 de março de 2018

O CRIME DE DOAR LIVROS

Por Luiz Carlos Amorim - escritor, revisor e editor - Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, 37 anos de literatura, cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras.

O Brasil é, infelizmente, um país que lê muito pouco, todos sabemos. Por diversas razões: educação ruim, preço do livro, etc., etc. Então fazemos questão de divulgar e incentivar iniciativas no sentido de facilitar o acesso ao livro, à leitura, por parte de todos, principalmente àqueles que não tem condições de comprar livros.
Felizmente temos escrito bastante sobre projetos particulares, privados, de pessoas abnegadas e dedicadas que trabalham, sem nada esperar em troca, para fazer com que livros conseguidos por doação cheguem até novos leitores, inclusive para incutir o hábito da leitura. Digo felizmente, porque é muito bom saber que existe quem se dedique a coletar livros para oferecê-los gratuitamente a quem queira lê-los.
Já registrei, aqui nestas crônicas, muitos projetos de leitura, como “Ler é viajar sem sair do Lugar”, da professora Mariza, de Joinville. Ele pede livros e revistas e os leva a pontos de leitura em hospitais, consultórios, escolas, etc., para que as pessoas leiam enquanto esperam ou levem para casa para ler. Projeto similar é o levado pela professora Edna, de Minas, que também cata livros para distribuí-los de graça, em diversos pontos da sua cidade.
Aqui em Floripa há o Floripa Letrada, que tem o propósito de receber livros em doação para colocá-los à disposição nos terminais de ônibus para que os usuários leiam, podendo levá-los para ler na viagem ou em casa, mas com o compromisso de devolvê-los às estantes para que outros leitores possam levá-los também. A verdade é que poucos devolvem. Muito poucos. E os livros colocados à disposição, muitos deles, nos últimos tempos, são apostilas que sobraram nos porões, muitas delas já defasadas.
Em Joinville há um projeto semelhante, numa praia aqui da capital um menino também saiu à cata da livros pela vizinhança e montou uma biblioteca para a comunidade, num cantinho do boteco do seu pai. E por aí afora.
Então, quando veja a notícia de que a prefeitura do Rio de Janeiro multou uma barraca de praia por distribuir livros de graça, fico indignado. Foi na praia do Leme. O doador de livros foi multado em 360,00 reais pelo crime de oferecer livros sem cobrar nada por eles. E saibam que a barraca que doava livros pagava licença para estar lá, na praia, a doar livros.
Fico indignado porque a educação está sucateada por causa de políticos corruptos que, além de corruptos, não tem cultura nenhuma, sequer um pouco de educação. Então esses mesmos “políticos” que administram o país fazem modificações na educação – e quando digo educação incluo aí o ensino, conforme nos diz o dicionário – mas não são mudanças para melhor, são mudanças para piorar ainda mais uma coisa que já era ruim.
Eles não fazem nada pela cultura, pela educação e ainda penalizam quem tenta fazer. É uma vergonha, mas isso é Brasil. Infelizmente. Precisamos que alguém apareça para resgatar a educação neste nosso Brasilzão de Deus, pois um país sem educação dá nisso que temos hoje em nosso país: violência, corrupção, falta de segurança, de saúde, até de justiça. Falta de tudo, até de humanidade.

terça-feira, 27 de março de 2018

QAURESMEIRA, O JACATIRÃO DA PÁSCOA

Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 37 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://lcamorim.blogspot.com –  http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

É outono, é quaresma, é a Páscoa chegando. A quaresmeira, tipo de jacatirão que tem esse nome porque floresce na quaresma, está em plena florescência, talvez a temporada com mais flores de que me lembro. Em Rancho Queimado, na grande Florianópolis, há um trecho da 282 que está uma beleza, tingido de vermelho e vinho dos dois lados da estrada. Na serra gaúcha também há muitos deles, principalmente nos jardins, e a quantidade de flores é um espetáculo à parte. No Paraná, os caminhos estão salpicados de vermelho das quaresmeiras, passamos por lá há poucos dias, indo e voltando da Lapa.
Este tipo de jacatirão, a quaresmeira, tem as flores menores do que o jacatirão nativo, que floresce na primavera/verão, mas é mais colorido, tem cores mais vivas, mais vibrantes. Então não dá pra não notar uma quaresmeira fechada de flores. O manacá-da-serra, outro tipo de jacatirão que floresce no inverno, é mais parecido com o nativo.
Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e quase roxas, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham, como faróis, e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração.
É assim que me sinto encantado com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração.
Mas parte deste encantamento, ainda, é o porquê de eu chamar o jacatirão de “flor da Páscoa”. Acho que ele é a flor de Cristo, também, porque ele está florescido em dezembro, quando nasce o Menino Jesus para todos nós. E uma variedade desse mesmo jacatirão, a quaresmeira, está florescida na Páscoa, quando aquele Menino, feito homem, é cruscificado e sobe aos céus. O jacatirão está presente tanto na chegada quanto na partida do Menino, filho do Pai. Não é uma flor divina?
Pois a Páscoa não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate. A palavra Páscoa vem do hebraico e significa "passagem". Os judeus comemoravam esse dia antes mesmo do nascimento de Cristo, desde há muito tempo, então com outro sentido: o de liberdade, ou seja, a libertação de anos de escravidão no Egito. Para os cristãos, a Páscoa passou a celebrar o renascimento de Cristo, a passagem dEle deste mundo para o Pai.                                              
Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos.
De maneira que Páscoa é fé em uma força maior que rege nossos destinos e é  também jacatirão, a flor que anuncia o Natal e enfeita a Páscoa, que anuncia a chegada e a elevação do Menino filho de Deus.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

VIVENDO NICE E O SUL DA FRANÇA






Por Luiz Carlos Amorim - Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 37 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://lcamorim.blogspot.com –  http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br  

Conhecer mais da França é uma experiência espetacular. É um país tradicional, culturalmente muito rico, e visitar suas cidades menores, além das suas metrópoles, nos possibilita ver uma França que os turistas não veem.
Estou passeando pelo sul do pais, quase na fronteira com a Itália, o que me proporciona  conhecer cidadelas medievais em topos de montanhas, como Bairols e Saint Paul, assim como me possibilita visitar Cannes e até Mônaco, um dos menores países do mundo, situado no sul da França. E me possibilita, também, conhecer cidades da Itália, como Vintemiglia.
Estivemos em Menton, no penúltimo domingo de fevereiro, para ver a Fête du Citron - Festa do Limão. Que coisa linda: um parque imenso todo cheio de figuras recobertas de limão e laranja: elefantes, palácios, dançarinas, um Buda, leões, etc, etc. E um desfile, com carros alegóricos também com figuras montadas com laranjas e limões.os al carrA cidade estava tomada de turistas e havia muitos, muitos italianos lá, porque Menton faz fronteira com a Itália.ira comMenton e A
A arquitetura antiga, com excelente manutenção, é uma atração à parte em Nice, mas a moderna também é muito interessante. Nice, na Côte D´Azur ou Riviera Francesa, onde estou hospedado, encravada à beira do Mediterrâneo é bélíssima e é uma grande cidade. Nice tem elegância, história, tem até carnaval, que dura duas semanas, do meio até o fim de fevereiro, bom comércio, bons restaurantes e principalmente muito charme, o tal charme da Cote D'Azur.
A Colline du Chateau é considerada o local de nascimento de Nice, e ainda hoje é o melhor local para se ter uma bela e abrangente vista da cidade e arredores. Na verdade, não existe mais castelo, o que há são poucas ruinas, mas é muito agradável subir a colina para ver os jardins, cascatas e poder admirar toda Nice.
Apesar de ser bem grande, a cidade tem boa mobilidade: onibus, trem, elétrico, facilitam a locomoção por toda Nice. Os modernos e rápidos bondes (ou elétricos),  contrastam com os prédios em estilo clássico da cidade, muitos deles tombados como patrimônio histórico.
Apesar de estar aprendendo francês, não estou praticando muito, pois tenho dificuldade, ainda, em falar, mas entendo quase tudo.
É muito bom estar por aqui.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

VISITA



    Luiz Carlos Amorim

Há muito tempo
A poesia me visitou
E ficou morando perto,
Muito perto,
Minha vizinha mais ilustre.
Mais do que isso,
Fez morada em mim,
Inquilina vitalícia,
Prima-irmã da emoção,
Da minh’alma e da saudade.
E essa proximidade,
Esse aconchego,
Essa cumplicidade,
Me trouxe mais que poesia,
Trouxe muitos poetas.
Eles são meu alento,
Irmãos na inspiração,
São poemas caminhantes
Trilhamos o mesmo caminho.
A poesia é o horizonte,
Ela é a essência
Da vida que eu quero verso.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

CURTINDO O FRIO DE PORTUGAL, DA FRANÇA, DA ITÁLIA

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completa 37 anos de literatura neste ano de 2017. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.brhttp://lcamorim.blogspot.com.br

Viajar é sempre muito bom. Estamos de novo passeando pela Europa e depois de passar duas semanas em Portugal, hospedados em Lisboa e viajando para o Porto, Braga, Cascais, Sintra, Guarda e Serra da Estrela – onde pegamos temperaturas negativas, Covilhã, Manteigas, etc., estamos na França.  Vamos voltar para Lisboa, dentro de mais uma semana, mas estamos agora em Nice.
A Côte D´Azur é belíssima, de fato, e Nice, onde estamos, é uma cidade encantadora, histórica e moderna, grande. A Baía dos Anjos é belíssima, uma praia enorme e linda com a cidade chegando até a orla, em praticamente toda a sua extensão. Fomos à Colina do Castelo, onde se localizava o Castelo de Nice, ou "Le Chateau". Apesar do nome, esse castelo, que data do século XI, era uma fortificação com uma vista maravilhosa para o mar azul turquesa e que, depois de capturada por tropas francesas, foi destruída. Hoje só restam poucas ruínas do castelo, mas o alto da colina tem uma vista de toda a cidade, fenomenal.
Temos andado pela cidade, conhecido seus parques, sua arquitetura, sua comida, sua gente, as feiras - imensas, mercados, sua história. Sua cultura. Muitas livrarias e bibliotecas pela cidade, então vamos aproveitar e compra alguns livros na língua local, pois estamos aprendendo francês.
No sábado, dia 10 de Fevereiro, saímos da cidade, fomos à Itália, em Ventimiglia. Comemos massa, passeamos, fizemos compras. Já de volta à França, conhecemos o Troféu de Augusto. O Troféu de Augusto é um imponente monumento romano que se encontra a 480 metros de altitude na comuna de La Turbie, no departamento francês de Alpes Marítimos, a pouca distância do Principado de Mônaco. A vista, lá no Troféu de Augusto é espetacular. De lá tem-se uma vista privilegiada do Principado de Mônaco, logo abaixo, e mais da França e da Itália.
E por falar em Mônaco, no dia 11 vistamos o Principado de Mônaco, interessantíssimo e muito bonito. O Principado de Mônaco é uma cidade soberana e, portanto, um microestado situado no sul da França. Fazendo costa com o mar Mediterrâneo, o principado, fundado em 1297, fica a menos de 20 quilómetros a leste da cidade de Nice e 20 quilómetros a oeste da cidade de Ventimiglia. Visitamos o Palácio do Príncipe de Mônaco (vejam fotos na minha página do Face) e o Museu Oceanográfico.
Há muito o que se ver ainda por aqui. Tanta na França como em Portugal. Essa região da Europa é riquíssima. Em cultura, em arte, em natureza, em tudo.